terça-feira, outubro 14, 2014

Você vive em uma Sociedade do Conhecimento?

Diariamente, ouve-se a afirmação de que se vive em uma Sociedade do Conhecimento, Mas, é possível afirmar com convicção que realmente temos uma sociedade com essa característica? Partindo da visão de Nestor García Canclini, no livro "Diferentes, desiguais e desconectados", essa afirmação pode ser questionada.

A sociedade vivenciou, ao longo dos anos, importantes avanços que proporcionaram cada vez mais o acesso à informação, conhecimento e cultura. O que é descrito pro Burke nos livros "Uma história social do conhecimento I e II" ao apresentar a evolução da escrita, surgimento da imprensa, formas antigas e novas de disseminação e compartilhamento do conhecimento, bem como o surgimento das bibliotecas, universidades, institutos de pesquisa, etc. Todas essas, instituições imprescindíveis para o desenvolvimento da humanidade e sua história cultural.

García Canclini defende ainda que a diversidade é a base para a existência da sociedade do conhecimento, especialmente o respeito à diversidade cultura. Afirma que esse fator a diferencia da sociedade da informação. Por isso, o autor questiona como uma sociedade repleta de desigualdades pode ser denominada como "do conhecimento". Atualmente, há a valorização apenas das cultura predominantes, o que se evidencia no predomínio do idioma inglês na literatura científica e no acesso às mídias digitais para poucos, por exemplo.

As tecnologias de informação e comunicação, sem dúvidas, contribuíram para difundir a informação e o conhecimento, além de conectar as pessoas. Entretanto, o acesso à essas ferramentas ainda é desigual. Em comparação ao tamanho da população mundial, o número de pessoas que estão conectadas e com acesso às TICs é mínimo e há muito a ser feito.

Nesse contexto, Laufer e García Canclini defendem que as novas formas de interação, acesso e uso da informação e do conhecimento, por meio das novas ferramentas, não diminuirá as diferenças. É importante não confundir diferença com desigualdade, pois esta sim deve ser reduzida e se possível extinta. Todos têm o direito à diferença, todos podem apresentar seus pontos de vista para compartilharem e/ou somarem a outros conhecimento, o que será minimizado é a exercício da autoridade, em busca da interatividade, intertextualidade e produção do conhecimento coletivo. 

* Texto elaborado com base nas leituras e estudos da bibliografia recomendada no processo seletivo do Doutorado em Ciência da Informação da USP ano de 2015.

REFERÊNCIAS

GARCÍA CANCLINI, Nestor. Diferentes, desiguais e desconectados: mapas da interculturalidade. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2005.

LAUFER, Roger. Novas ferramentas, novos problemas. In: BARATIN, Marc & Jacob, Christian (orgs.) O poder das bibliotecas: a memória dos livros no Ocidente. Rio de Janeiro: UFRJ, 2000, p. 155-166. 

BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Zahar Ed, 2003.

BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento II: da Enciclopédia a Wikipédia. Rio de Janeiro: Zahar Ed, 2012.

2 comentários:

Jaqueline Oliveira disse...

Gostaria de saber onde você achou o texto de LAUFER, Roge, pois estou procurando e não o acho em lugar nenhum.

Rafael Silva disse...

Oi. Tirei umas fotos do livro. Qual seu e-mail, posso te passar.