quarta-feira, agosto 12, 2015

Somos todos pilares!


Após ler e traduzir a entrevista "Como se tornar um bibliotecário... líder", resolvi convidar meus amigos para escreverem sua opinião sobre o papel do bibliotecário como líder. Este é o primeiro de uma série de texto que publicarei semanalmente. O primeiro, é do Lucas Henrique Gonçalves, amigo e colega de trabalho que admiro e que tem se tornado um grande líder. Aproveite a leitura!


Somos todos pilares!


Um bibliotecário, para ser um gestor, não precisa ser necessariamente um líder. Mas, para ser um bom gestor, ou quiça ser um ótimo gestor, precisa sim ser um líder. Pela pouca experiência que tenho, como alguns falam já que tenho apenas uns cinco anos (completos em dezembro/2015) de atuação profissional como gestor (ou vulgo chefe) de biblioteca , eu me considero um bom gestor.

Um líder não precisa, necessariamente, que todos os colaboradores sejam seus “amantes” (sem conotação depreciativa) ou seguidores fieis, mas, tem que conquistar o respeito, prezar pelo dialogo e a abertura da possibilidade de desenvolver ações para atingir o foco principal da unidade que coordena.

Gosto de usar a analogia de que todos os colaborares são pilares que sustentam a unidade aonde atuam, ou seja, a queda de um, ou dois pilares talvez não cause o desabamento do teto, mas, pode enfraquecer a solidez e criar rachaduras. A queda de vários pilares, por outro lado, fará sim com que o teto desmorone e caia sobre todos os pilares (os que estavam de pé e os que já tinham caído). Mas, como manter os pilares de pé?

Acredito que para a eficiência da prática de uma boa gestão é necessário:

(i) o entendimento da visão sistêmica de que em uma biblioteca (ou qualquer unidade em que exista hierarquia) todos são colaboradores deste espaço, desde o gestor até os outros colaboradores (vulgos subordinados – expressão com a qual não simpatizo); 

(ii) que os objetivos da unidade sempre sejam priorizados diante dos desejos pessoais do gestor e dos colaboradores; 

(iii) que o tratamento (recompensatório ou punitivo - tiraria essas duas expressões) do gestor com os colaboradores deve ser igualitário, sem distinções por tipo de serviços e/ou proximidades pessoais; 

(iv) que ocorra o envolvimento com a vida pessoal dos colaboradores, mas de forma que não afete o andamento das atividades da equipe, mas que harmonize o ambiente trazendo o sentimento agradável (e quem sabe prazeroso) de permanência no local de trabalho.

Outro ponto que considero chave para um bom gestor é a personalidade, não relacionado ao “como se portar diante dos outros” (fato que é muito importante, mas que varia demasiadamente de pessoa para pessoa), mas, sim na maneira que o gestor consegue resolver problemáticas ou introduzir novas demandas, que podem afetar de forma brusca os procedimentos já existentes e principalmente a rotina de trabalho dos colaboradores, sem que haja queda de pilares.


segunda-feira, agosto 10, 2015

Contribuições de Birger Hjorland para a Organização do Conhecimento

Durante a disciplina "Bases epistemológicas para a organização do conhecimento" do doutorado em Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, ministrada pelo Prof. Dr. José Augusto Chaves Guimarães, aprendemos sobre alguns teóricos da área de Organização do Conhecimento.

Minha colega Natália Nakano e eu ficamos responsáveis por apresentar as contribuições de Birger Hjorland. Foi encantador aprender sobre esse autor que me acompanhará por toda a escrita da tese. Gostaríamos de compartilhar os slides da nossa apresentação.




domingo, agosto 02, 2015

Como se tornar um... bibliotecário líder

Hoje encontrei uma super entrevista com Ciara Eastell ao The Guardian sobre seu papel como líder pelas bibliotecas do condado de Devon na Inglaterra. Ela apresenta dicas preciosas sobre o papel de um líder em uma biblioteca. Como ocupo um papel de liderança na universidade onde trabalho, achei super relevante para minha atuação profissional. Ser um líder é um grande desafio e é preciso estar preparado, compartilho a entrevista com os colegas porque acredito que pode auxiliar na sua atuação e instigar a reflexão.

A possibilidade de traduzir a entrevista passou pela minha cabeça, mas, foi o empurrãozinho do Jorge Prado que me fizeram colocar a mão na massa. Obrigada, Jorge.

Agradeço ao Jorge Prado, Douglas Lenon e Klint Flecher por auxiliarem nas dúvidas durante tradução de alguns termos do texto.

Estou aberta às sugestões de melhoria da tradução do texto, podem enviar para o meu e-mail paula.carina.a@gmail.com

Boa leitura!


O esteriótipo da mídia de um serviço fora de moda em declínio está errado - ultimamente os bibliotecários devem ser líderes empreendedores bem atualizados.

Conte-nos um pouco sobre seu trabalho


Eu sou a responsável pelas bibliotecas, divisão de cultura e patrimônio do Conselho do Condado de Devon. Lidero um serviço com 50 bibliotecas, quatro bibliotecas móveis e três bibliotecas prisionais, bem como tenho a responsabilidade estratégica pelos serviços culturais e patrimoniais do condado. Eu também sou a presidente da Sociedade de Bibliotecários Chefes, que lidera e gerencia os serviços das bibliotecas públicas da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte.


Bibliotecas são uma parte importante da vida da comunidade: nacionalmente há mais visitas às bibliotecas do que ao cinema e à liga principal de futebol combinados. Elas tem um papel importante na luta pela inclusão digital e, cada vez mais, as pessoas estão se voltando para as bibliotecas em busca de ajuda on-line para se candidatar a empregos, obter benefícios ou procurar por moradia.

Eu gosto do meu trabalho - lidero uma equipe realmente comprometida e engajada e respondo aos desafios de desenvolver serviços modernos e inclusivos em um momento de grande austeridade financeira. É tempo de repensar o papel das bibliotecas nas comunidades locais e explorar novas soluções para manter as bibliotecas. 

Muitas vezes o estereótipo da mídia é de um serviço fora de moda que está em declínio, mas a realidade é que as bibliotecas estão provendo grande ajuda necessária que se estende para além do seu papel periférico tradicional 

Quais qualificações você precisa para o seu trabalho?

Eu tenho uma graduação em Inglês e um Mestrado em Biblioteconomia. Eu adquiri muitas habilidades e qualificações durante os últimos 20 anos e fui uma membro do Clore Leadership Programme alguns anos atrás.

Quais outras habilidades e experiência ajudariam alguém a fazer seu trabalho?

Muito do que fazemos nas bibliotecas é baseado na colaboração e trabalho em parceria com outras organizações assim, a habilidade de intermediar e apoiar uma ampla gama de parcerias é fundamental. Em Devon, por exemplo, todo mês de Outubro nós colocamos em prática um programa chamado "Vida ativa, mente ativa", que encoraja os idosos a participarem de atividades gratuitas na biblioteca para impulsionar seu bem-estar ou ajudá-los a serem mais ativos fisicamente. Parcerias locais, com a saúde pública, organizações voluntárias e outras instituições municipais, como equipe de economia, são a chaves para maximizar o impacto desse trabalho.

Em um tempo de austeridade financeira significativa, é essencial que a coordenação das bibliotecas possa articular o que uma biblioteca pode oferecer para sua comunidade e demostrar como o serviço se alinha com as prioridades mais amplas do conselho, como reduzir o isolamento, aumentar o crescimento econômico ou ajudar as comunidades a se tornarem mais inclusivas. Também está se tornando mais importante os coordenadores de serviços de biblioteca serem empreendedores e conseguirem financiamento adicional ao do conselho.

Se você estivesse procurando pelo seu sucessor, como alguém poderia se destacar na entrevista?

Uma paixão genuína pelo serviço e comprometimento com os principais valores que sustentam as biblioteca para o acesso gratuito à informação e aprendizado, juntamente com a crença no poder dos livros e da leitura. Essa paixão, alinhada com competências de gestão e liderança sólidas, particularmente habilidades com finanças e experiência em liderança, adicionado a um instinto para parcerias e o entendimento de como o mundo digital está transformando a forma como as pessoas leem e aprendem, faria um candidato se destacar.

O que você gostaria de ter sabido quando você iniciou sua carreira?

Eu gostaria de ter sabido quão divertido seria trabalhar em bibliotecas e gostaria de ter relaxado um pouco mais.

Qual é o pior conselho que você já recebeu?

Nós recebemos poucos conselhos sobre carreira, quando eu estava na escola, e eu sinto muito agora que ninguém me ajudou a ver a vasta gama de trabalho que eu potencialmente poderia fazer. Eu sempre senti uma verdadeira paixão pelas bibliotecas públicas e não me arrependo pelas escolhas que eu fiz, mas eu sinto fortemente que o acesso à informação de boa qualidade e os conselhos são importantes para as pessoas em todos os estágios da vida. 

Fonte: The Guardian

quinta-feira, julho 30, 2015

XXVI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação


Entre os dias 21 e 24 de julho, eu participei do XXVI Congresso de Biblioteconomia e Documentação, o CBBD 2015. Foram dias intensos de muito aprendizado e compartilhamento de experiências. Além disso, sempre é um bom momento para rever amigos, fazer novos contatos e conhecer a cidade onde o evento está acontecendo.

Como de costume, gostaria de compartilhar minha visão sobre o congresso.

O CBBD teve início com uma abertura impecável, como foi bonito viajar na história de São Paulo e da Biblioteconomia com música, teatro e Mario de Andrade. O lugar é um espetáculo, foi minha primeira vez na Sala São Paulo e fiquei encantada.

Durante o CBBD temos a oportunidade de sair um pouco de nossas caixinhas e passear pelas mais variadas realidades da Biblioteconomia brasileira. Passeamos pelas bibliotecas escolares, públicas, universitárias e temos um panorama geral da área. De tudo que vi e ouvi, vou destacar o que mais me chamou a atenção.

A mesa de abertura com David Lankes e Elisa Delfini Corrêa foi excelente. Apesar de David Lankes não estar presente e termos assistido a um video com sua fala, a experiência foi sem igual. Que profissional empolgante e quantas ideias interessantes. Confesso que ao entrar no auditório e perceber que ele não estava ali, fiquei um pouco decepcionada. Quando vamos a um evento desse porte esperamos ter o contato pessoal e, como a organização do evento não informou quais seriam as palestras por web conferência isso causou certa frustração em muitos participantes.

Duas falas bem simples de David Lankes me chamaram a atenção: "Porque nós temos bibliotecas e bibliotecários"? e "Bibliotecários ajudam as pessoas a aprender". Meu discurso no último semestre, no curso de Biblioteconomia da UCS foi exatamente esse: "Bibliotecários são educadores"! E não canso de usar esse argumento. E, para mim, é por isso que temos bibliotecários nas bibliotecas, do contrário não há razão de ser para a nossa profissão.

Para quem se interessar por conhecer um pouco mais sobre as ideias de Lankes, o seu livro "Expect more" está disponível aqui para download.

Outro ponto alto do CBBD 2015 foi a seção "Conversando sobre...", aconteceu no segundo e terceiro dia no final da tarde, às 18h. Havia conversas simultâneas bem diversificadas. No dia 22/07 eu participei da conversa sobre "Mídias Sociais e as bibliotecas: podemos viver sem elas?" e no dia 23/07 "Portais, repositórios e bibliotecas digitais: tudo junto e misturado?". As duas conversas foram super produtivas e atuais, além de poder conversar com grandes nomes da biblioteconomia, muitos deles nossos marcos teóricos.

Entre as conferências, foram destaque a de Luiz Felipe Pondé sobre Ética, Ricardo Crisafulli Rodrigues sobre Informação Imagética e de Sergio Vieira Branco Júnior sobre o Marco Civil da Internet. 

Destaco ainda, a apresentação da Iara Vidal sobre Métricas Alternativas, tema que vem sendo muito debatido entre os pesquisadores e, especialmente, os profissionais que atuam com editoração científica. Ela explicou o que é Altmetria, apresentou referencias teóricos importantes e as ferramentas que vem sendo utilizadas para dar visibilidades aos pesquisadores, a palestra foi promovida pela EBSCO e a apresentação da Iara está disponível aqui.

O eventos profissionais e científicos são ótimas oportunidades para troca de experiências, reconhecer a inovação na nossa área de atuação e fazer novos contatos. Acredito que no CBBD 2015 os temais mais inovadores foram a Altemetria e a discussão sobre os Recursos Educacionais Abertos que foi discutido na seção Conversando sobre "Portais, repositórios e bibliotecas digitais". Sem dúvidas, são temas que serão muito recorrentes nos próximos eventos da área.

sexta-feira, janeiro 02, 2015

Antes do Google...Quem sabia?

Por:  Linton Weeks

Tradução: Paula Carina de Araújo

Se o Google não pode responder suas perguntas atualmente, para quem você vai telefonar? Um bibliotecário, claro!

Bibliotecários continuam a ser legais. Em uma seria contemporânea da TNT, “The Librarians” são super heróis. Nos últimos anos, bibliotecário apareceu na lista da Forbes de trabalhos menos estressantes. E mesmo na era dos mecanismos de busca, bibliotecários continuam fazendo novas descobertas.

Muitas semanas atrás o pessoal do icônico prédio da Biblioteca Pública de Nova Iorque na Rua 42 em Manhattan encontrou uma caixa antiga de questões de referências – que vão de 1940à 1980 – perguntadas por usuários.

Como a porta-voz da Biblioteca Pública de Nova Iorque, Angela Montefinise apontou, as perguntas – em si mesmas – são convincentes. E talvez eles falam em um tempo mais simples. Talvez não.

“Algumas são somente questões difíceis,” diz Angela. “Outras são interessantes historicamente, outras são somente engraçadas”. Aqui estão algumas joias, levemente editadas para ficarem mais claras:

- É apropriado ir para o Reno sozinho para se divorciar? (1945)
- Eu acabei de ver um rato na cozinha. Tudo bem se usar SBP? (1946)
- Qual o tempo de vida de um cílio? Resposta: baseado no livro Seu cabelo e seu cuidado, é de 150 dias. (1946)
- O que significa quando você sonha que está sendo perseguido por um elefante? (1947)
- Onde eu posso alugar um beagle para caça? (1963)
- Você pode me dizer qual a espessura do selo dos EUA com a cola nele? Reposta: Nós podemos dizer essa resposta rapidamente. Porque você não tenta os Correios? Resposta: Aqui é dos correios. (1963)
- A Biblioteca Pública de Nova Iorque tem um computador para uso do público? Resposta: Não senhor!1 (1966)

E havia esta nota datilografa em uma ficha catalográfica:

- Ligação telefônica no meio da tarde do Dia de Ano Novo, 1967: Voz feminina um pouco incerta: “Eu tenho duas perguntas. A primeira é sobre etiqueta. Eu fui para uma festa na noite de Ano Novo e inesperadamente passei a noite fora. Eu não conheço muito bem os anfitriões. Eu deveria enviar um bilhete de agradecimento? Segundo. Quando você encontra um colega e você sabe que ele tem o preço de 27 milhões de dólares – porque é o que falaram para mim, 27 milhões, e você sabe sua nacionalidade, como você descobre seu nome?

A biblioteca planeja começar a postar algumas das antigas questões na sua conta no Instagram nos próximos dias.

“Nós éramos Google antes do Google existir”, Angela explica. “Se você quisesse saber se uma cobra venenosa morre se ela bicar a si mesma, você ligaria ou nos visitaria”.
Verdade? “Sim, aquela questão foi perguntada.”

Mesmo com Google, Siri, OnStar e DuckDuckGo – entre outros – atualmente, a biblioteca continua a responder consultas. “Nós recebemos aproximadamente 1700 perguntas de referência por mês via chat, e-mail, telefone,” Angela diz, incluindo perguntas mais difíceis que as pessoas não responde – mesmo com a internet.

E com tanta informação conflituosa lá, Angela adiciona, é difícil saber a resposta correta.
Um bibliotecário sábio pode ajudar sempre nessas situações. É um fato.

Fonte: http://www.npr.org/blogs/theprotojournalist/2014/12/20/371851621/before-google-who-knew?utm_campaign=SocialFlow&utm_source=facebook.com&utm_medium=referral

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Os encantos das livrarias

Gosto muito de visitar livrarias. Particularmente, gosto de descobrir cada cantinho, conhecer sua história, especialmente, em lugares onde a tradição da leitura é muito presente. Acredito que esses lugares reservam a história do local onde estão inseridas e representam, assim como as bibliotecas, locais que abrigam o saber, mas, que ao mesmo tempo proporcionam tranquilidade e um momento lúdico.


Claro que o encantamento pelas livrarias, deve-se em grande parte ao fato de eu ser uma bibliotecária. Ainda mais, porque nunca fui uma frequentadora de livrarias na minha cidade natal. Até porque, há alguns anos, elas não existiam lá.


A livraria Shakespeare and Company me causou encantamento desde a primeira vez que ouvi falar sobre ela, em uma aula de metodologia com a Prof. Dra. Gisela Eggert-Steindel. Não sei porque, mas, desde aquele dia sempre pensava: "um dia visitarei a Shakespeare and Company".

A livraria é carregada de história em cada canto, como eu imaginava. Tem certa magia no ar! Hoje está localizada na 37 Rue de la Bûcherie Paris V e funciona como livraria, sebo e sala de leitura. A especialidade é literatura de língua inglesa e esse é o idioma falado na livraria, ainda que sua localização é em Paris, pois, sua fundadora foi Sylvia Beach, uma americana de Nova Jersey expatriada em Paris. A livraria foi fechada em 1940, após a invasão alemã na França na II Guerra Mundial.  Em 1951 outra livraria de língua americana foi aberta por George Whitman e, em 1964 essa livraria recebeu o nome de Shakespeare and Company em tributo à primeira, quando da morte de Sylvia Beach. (Saiba mais sobre a história).


Em 2012 fiz uma viagem à Europa e quando Paris entrou no roteiro, a Shakespeare and Company foi um dos primeiros locais a serem lembrados. No primeiro dia de passeio, fui à Catedral de Notre Dame e, em seguida, procurei a livraria. O google maps me enganou de dei uma volta desnecessária...rsrsrs... o importante é que avistei a livraria de longe. Ela fica bem próximo à Catedral e é inconfundível.

Passei algumas horas lá dentro, observando cada detalhes. Das prateleiras irregulares e dos inúmeros livros apertadinhos à cama no primeiro andar. Por lá é muito comum jovens escritores morarem na livraria em troca da prestação de alguns serviços. Recomendo a visita, pois a livraria é um encanto e lá podem ser encontradas relíquias, no sebo especialmente.

Depois de ter visitado a Shakespeare and Company, estou ansiosa para ler dois livros sobre a livraria, são eles:

MERCER, Jeremy. Um livro por dia: minha temporada parisiense. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2007.

BEACH, Sylvia. Shakespeare and Company. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004.


terça-feira, novembro 11, 2014

Traços históricos da Ciência da Informação

A Ciência da Informação, proveniente da Documentação e com relação direta com importantes estudos teóricos desta área, tem amadurecido cada vez mais com o auxílio de estudos históricos, epistemológicos e metodológicos que tentam compreendê-la como ciência social. Muitos desses estudos apontam a CI como ciência pós-moderna que tem como objetivo, resolver problemas da sociedade, compreendê-los e criar estratégias para lidar com eles, o que se evidencia na pesquisa de Wersig (1993).

Paul Otlet
Ao defender a organização da documentação como área de estudo e pesquisa, Paul Otlet já estava desenhando o que hoje se chama CI, conforme afirma Rayward (1997) ao estudar as origens dessa ciência. Inscrita na pós-modernidade, a CI tem características das ciências desenvolvidas nesse período. Acompanha um momento em que o conhecimento é cada vez mais valorizado, quando o desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) causaram grande impacto na sociedade e houve uma mudança no papel do conhecimento (TÁLAMO; SMIT, 2007; WERSIG, 1993).

Nesse contexto, Tálamo e Smit (2007) buscam reconhecer o desenvolvimento e o papel da CI na pós-modernidade. Fazem uma crítica ao fato da CI  usar sua interdisciplinaridade com o álibe para a busca da sua cientificidade. É fato que a CI é uma ciência interdisciplinar por relacionar-se com outras áreas do conhecimento para explicar os fenômenos que envolvem seu objeto de estudo, seja ele a informação ou as suas interações. As autoras defendem que a interdisciplinaridade deve ser defendida e utilizada para esse fim e não como justificativa.

Wersig (1993), Tálamo e Smit (2007) descrevem as características de uma ciência (existência de métodos definidos e de um objeto) e inserem a CI nesse contexto. Na pós-modernidade é exigida uma redefinição dos conceitos científicos amplos que dela fazem parte, a reformulação dos conceitos que compartilha com outras área, o que Wersig (1993) chama de interconceitos. Além do entrelaçamento destes com os modelos propostos.

Além desses itens, Tálamo e Smit (2007) propõem o desenvolvimento de métodos  e estratégias de uso e mediação da informação. Sem dúvidas, como ciência que surgiu na pós-modernidade, a CI tem muito a evoluir, mas também contribuir para a construção da sociedade. Sabe-se que houve uma mudança no papel do conhecimento, que agora foi despersonalização, tornou-se difícil reconhecer sua credibilidade, está fragmentado em novos formatos e meios de disseminação, além de uma maior busca por sua racionalização.

Num momento onde a diferença é cada vez mais evidente na sociedade, busca-se a diminuição das desigualdades e o aumento do número de pessoas conectadas. A CI pode desempenhar importante papel para encontrar solução para o problema da desigualdade ainda evidente, em busca da formação de um verdadeira sociedade do conhecimento, onde a diversidade está no centro, característica que a distingue da Sociedade da Informação. Apesar de todo o avanço tecnológica, todas as facilidades e possibilidades de interação e conexão entre as pessoas, intrínsecas à sociedade do conhecimento, elas não estão disponíveis para todos.

Ao reconhecer sua identidade de ciência pós-moderna, interdisciplinar e que auxilia na resolução dos problemas relacionados à informação, seu uso, mediação, criação e disseminação, este campo científico poderá contribuir ainda mais para a sociedade, cumprindo assim seu papel social de dar o acesso à informação. 

* Texto elaborado com base nas leituras e estudos da bibliografia recomendada no processo seletivo do Doutorado em Ciência da Informação da USP e UFSC para o ano de 2015.

Referências

RAYWARD, W.B. The origins of information science and the International Institute of Bibliography/International Federation for Information and Documentation (FID). Journal of the American Society for Information Science, v.48, n.4, p.289-300, 1997.

TÁLAMO, M.F.G.M. & SMIT, J.W. Ciência da Informação: pensamento informacional e integração disciplinar. Brazilian Journal of Information Science, v.1, n.1, p.33-57, jan./jul 2007. Disponível em: http://bjis.unesp.br Acesso em: 5 set. 2014.

WERSIG, G. Information Science: the study of postmodern knowledge usage. Information Processing & Management, v.29, n.2, p.229-239, 1993.