sexta-feira, dezembro 28, 2012

Livros eletrônicos: minha opinião como leitora

Admito que ainda não sou uma grande conhecedora do assunto mas, tenho me esforçado para isso. Já faz algum tempo que quero escrever sobre livros eletrônicos, entretanto, o empurrãozinho veio depois de ser questionada por um dos leitores do blog sobre minha posição com relação a esse novo suporte! Sim, acredito que o livro eletrônico é um novo suporte de informação. Diga-se de passagem, é um suporte bem diferente, pois estamos acostumados com o bom e velho papel.

A questão dos e-books pode ser discutida a partir de diversos pontos de vista, alguns deles são: do leitor, do autor, do editor e do bibliotecários. Dois deles me interessam, pois sou uma leitora e também bibliotecária. Neste post vou apresentar minha opinião como leitora.

Para mim o livro eletrônico tem algumas vantagens, listo três delas: 

- Portabilidade: a possibilidade de carregar uma infinidade de livros sem ocupar muito espaço e sem pesar muito me fascina. Explico: sou daquelas leitoras que quando viaja não consegue se decidir sobre qual livro levar. Por isso, acaba carregando dois, três e até quatro livros para ter mais opções. Ultimamente, tenho lido mais de um livro ao mesmo tempo, dependendo do humor, estado de espírito, sei lá. Um leitor de e-books com uma boa memória possibilita carregar quantos livros eu quiser e até mesmo adquirir, por meio de um click, um novo livro que me desperte o interesse.

- Interação: atualmente, os livros tem sido criados de forma a facilitar a interação com o leitor. Enquanto você lê um livro eletrônico, pode clicar em uma palavra desconhecida e ser remetido ao dicionário e conhecer o significado. Também é possível ser direcionado para um video que ilustra determinada informação apresentada pelo autor, o que é fascinante. Há algum tempo, apresentei aqui no blog um exemplo de livro digital interativo muito interessante.

- Facilidade de aquisição: as livrarias virtuais facilitam muito a compra de livros eletrônicos, basta o acesso à internet e um cartão de crédito em mãos. Rapidinho, você compra quantos livros desejar. Esse fator me ajudou muito durante meus estudos na pós-graduação, pude adquirir livros que estavam disponíveis apenas em livrarias no exterior ou como e-books em livrarias virtuais. Não precisei esperar nem um dia para ter o livro a minha disposição e continuar com minhas pesquisas.

Como qualquer nova ferramenta, o livro eletrônico também apresenta desvantagens para os leitores, entre elas cito algumas:

- Possibilita a fácil distração: se você utiliza um tablet ou smartphone como leitor de livro eletrônico, as chances de iniciar a leitura de um texto e não ser interrompido a cada cinco ou dez minutos é quase nula. A menos que você seja alguém muito disciplinado e desative todas as notificações  do aparelho (e-mail, facebook, twitter, instagram, etc). Além disso, a possibilidade de interação (a qual eu citei como vantagem) também pode se caracterizar como desvantagem. Pois, quando você clica em um link do livro, poderá ser remetido a uma outra plataforma e os links não terão mais fim. Sem dúvidas, é preciso foco e muito controle de sua curiosidade. Confesso que para mim isso é muito difícil!

- Não carrega "sentimento": não sei se esta é a palavra correta mas, quando falo em sentimento, refiro-me ao fato de que o livro eletrônico não traz as marcas das pessoas que já o usaram. Trata-se apenas de um arquivo eletrônico que podeser transmitido por e-mail, pen drive, etc. Um livro em papel, entretanto, tem cheiro, as folhas tem texturas diferentes, carregam histórias por meio das dedicatórias escritas a mão. Um livro de uma biblioteca, por exemplo, pode transmitir as histórias de várias pessoas que o emprestaram, pois os leitores esquecem entre suas folhas: cartões, fotos, recibos de contas e, por vezes, deixam seus rabiscos, o que me irrita muito...rsrsrsrs.

Em minhas reflexões sobre esse assunto cheguei a conclusão que acredito na sobrevivência do livro impresso e na sua convivência amigável com o livro eletrônico. No meu caso, eles tem utilidades diferentes: os livros eletrônicos são mais para fins acadêmicos e são meus companheiros durante as viagens. Já os impressos: adoro recebê-los de presente e com dedicatória (fica a dica), aprecio muito a leitura no sofá de casa ouvindo boa música (Sim! Faço as duas coisas ao mesmo tempo), gosto de colecioná-los e ver a estante cheia, gosto muito de ler no ônibus a caminho do trabalho ou na praia ouvindo o barulho das ondas do mar, garanto que eles são bons companheiros nessas horas!

E quanto a você? Qual sua relação de leitor com os livro eletrônico?

sexta-feira, outubro 12, 2012

Visita à British Library: parte II

Em frente à British Library. Ao fundo Estação St. Pancras.
Na segunda parte da nossa visita à British Library fomos acompanhadas pelo responsável pelo Setor de Conservação e Preservação de Documentos. Passamos aproximadamente uma hora conhecendo as diversas atividades desenvolvidas nesse setor. Foi-nos informado que cada colaborador tem a liberdade de desenvolver atividades voltadas para as suas habilidades e para o que mais gosta de fazer. Pode-se perceber aqui a gestão do conhecimento sendo aplicada na prática de uma biblioteca.

Presenciamos parte da recuperação de um manuscrito do século XVII, de mapas e encadernações. Cada colaborador falou um pouquinho sobre o trabalho que estava desenvolvendo naquele momento e sobre as suas especificidades. O responsável pelo setor alertou que os problemas econômicos de toda a Europa têm afetado diretamente a disponibilização de recurso para as bibliotecas públicas. Parece que não é apenas no Brasil que as bibliotecas são as instituições primeiro afetadas em momentos de crise. Explicou que, por esse motivo, o investimento na recuperação de documentos tem diminuído. Portanto, a avaliação do que deve ou não ser recuperado deve ser ainda mais minuciosa, tendo em vista que os gastos com esse tipo de trabalho são muito altos.

No hall da British Library.
Nosso próximo destino foi uma sala de reuniões para uma apresentação do Programa de Digitalização da British Library. A apresentação foi feita em inglês pelo Dr. Aquiles Alencar-Brayner, brasileiro e Digital Curator da British Library. Ele falou sobre os mais diversos projetos de acervos digitais da biblioteca e o mais impressionante foi reconhecer como a British Library está aberta para trabalhar em parceria com instituições do mundo inteiro, afim de aumentos o acesso ao conhecimento acumulado ao longo dos anos em bibliotecas, centros de documentação, arquivos, cartórios, etc.

Logo em seguida, pudemos conhecer mais profundamente os catálogos da British Library, bem como muitas outras coleções disponíveis para usuários do mundo inteiro. Mesmo estando familiarizada com as novas tecnologias, é impressionante reconhecer as inúmeras fontes disponíveis para pesquisadores do mundo inteiro. Ao final de nossa visita, fomos a uma sala de exposição onde havia livros, cartas e mapas raros. Nos despedimos da Dra. Elizabeth Cooper e dos colegas Argentinos.

Enquanto fotografávamos o hall da biblioteca (local onde era permitido), o Dr. Aquiles nos encontrou e veio conversar conosco e, somente neste momento soubemos que ele é brasileiro do Ceará. Mora em Londres há alguns anos, onde fez seu mestrado em Ciência da Informação. 

Hora do chocolate quente.
Fiquei muito feliz e honrada com a calorosa receptividade desses bibliotecários. Momentos como este são riquíssimos para a troca de experiências e também para estabelecer parcerias futuras. Todos eles ficaram a disposição para esclarecer dúvidas e até mesmo para receberem propostas de parcerias. Ao final de nossa visita, paramos em um café da própria biblioteca para tomar um lanche e depois, mesmo com a chuva que caía, aproveitamos para fazer algumas fotos externas.

Se você vai à Londres e tem interesse em fazer uma visita à Biblioteca, saiba como clicando aqui.

sexta-feira, julho 06, 2012

Visita à The British Library: parte I

Logo que comprei as passagens para passar as férias em Londres eu comecei a planejar o roteiro de viagem. Não podia deixar de visitar a British Library, por isso, entrei em contato com um dos bibliotecários que trabalham lá e ele me colocou em contato com a Dra. Elizabeth Cooper, Curadora da Seção de Estudos Latino Americanos. Ela foi super gentil e agendou uma visita para três bibliotecárias: Suzana Zulpo Pereira, Eglem Veronese Fujimoto e eu.

The British Library
Nossa visita aconteceu no dia 10/05 às 10h da manhã. A admiração foi inevitável logo que chegamos à biblioteca, o prédio é imenso e tem uma beleza particular. Apesar do frio e da chuva, estávamos muito felizes e eufóricas com as experiências que seriam compartilhadas. Dirigi-me ao balcão de atendimento e me identifiquei, então recebemos, cada uma, um crachá onde estava escrito: "Visitors: Brazil and Argentina". Nós pensamos: "Argentina"? 

Ficamos aguardando a recepção de Elizabeth, que foi muito gentil e nos alertou que de última hora, dois bibliotecários argentinos haviam solicitado uma visita e ela resolveu unir os dois grupos, tendo em vista que tínhamos objetivos parecidos. Ela se apresentou e disse que poderíamos fazer perguntas em português, pois ela tem um bom domínio da língua. Ela é americada de Nova York e vive há 3 anos em Londres, passou 1 ano no Brasil fazendo pesquisas para o seu doutorado, quando estudou literatura latino americana. 

Banco em forma de livro no Hall da British Library

Infelizmente, fomos alertadas que não poderíamos fotografar as salas de leitura e alguns setores de trabalho que iríamos visitar, de qualquer forma, todas aquelas imagens continuam na memória. Pudemos fotografar apenas o hall da biblioteca e parte do acervo, a Biblioteca do Rei. Deixamos bolsas e casacos no guarda-volumes que fica no sub-solo e é o sonho de qualquer bibliotecário, dois colaboradores trabalhavam no atendimento desse setor e organizavam as bolsas em armários e casacos em cabides.
Escadas que dão acesso às salas de leitura e à King's Library Tower

Naquele dia, os colaboradores da bibliotes estavam em greve e, por isso, algumas salas de leitura estavam fechadas. Elizabeth nos apresentou duas salas que estavam abertas, a estrutura é muito moderna, o espaço é harmonioso e confortável, eu poderia passar horas lá dentro. Passando do hall para o primeiro espaço destinado para o estudo, nos deparamos com a Biblioteca do Rei, acervo do Rei George III (reinado: 1760-1820), organizado em uma torre de vidro bem no centro do prédio. Essa coleção é considerada uma das mais significativas do Iluminismo, contendo livros impressos na Inglaterra, Europa e América do Norte do século 15 ao 19. Consiste em 65 mil volumes de livros impressos e 19 mil folhetos.

King's Library Tower

Quando George III assumiu o trono em 1760 herdou apenas pequenas coleções de livros localizados em residências reais. Ao longo de seu reinado ele designou pessoas para ajudarem a formar essa bela coleção. Após a morte do rei George III a biblioteca passou para seu filho George IV em 1820 que a ofereceu como um presente para a nação britânica em 1823, quando a biblioteca foi transferida para o British Museum, com a condição de deixá-la separada para manter sua identidade. No museu os livros puderam ser consultados pelos pesquisadores ao longo dos anos. Somente em 1973 a biblioteca do rei foi transferida para o novo prédio da British Library. Posteriormente, os seis andares da Torre foram projetados especialmente para abrigar a coleção do Rei George III, mantendo sua identidade e ficando visível para os usuários da biblioteca. Há um controle de luz, temperatura e humidade para conservar o acervo. (Conheça a história completa aqui).

King's Library Tower

Confesso que fiquei fascinada com a história e o grandiosidade da torre, bem como a beleza dos livros.

Em seguida Elizabeth nos mostrou a maquete da biblioteca e o que chamou a atenção foi a estrutura onde a maior parte do acervo fica armazenada, no sub-solo, sob conservação rígida e onde dificilmente o acervo pode ser afetado por desastres naturais, fogo, etc. Eles realmente investem para preservar a memória do seu país. A estrutura da biblioteca é maravilhosa. 

Tentei não fazer comparações com a estrutura das bibliotecas no Brasil, pois sabemos que as diferenças econômicas e sociais são gritantes. Entretanto, acredito que a forma como o governo e até mesmo os cidadãos entendem a preservação e disseminação do conhecimento em nossa sociedade, precisa ser repensada e caminhar para o progresso. Do contrário, nunca sairemos do lugar.

Nesse contexto o que me chamou muito a atenção foi o reconhecimento com relação ao trabalho dos profissionais da informação que atuam  na biblioteca. Eles são muito valorizados e, pareceu-me que são incentivado a aplicar novas soluções com base nos conhecimentos que desenvolvem em seus estudos. Todos os curadores que conversaram conosco já cursaram o doutorado e são muito preparados para desenvolver suas funções, a busca pela aquisição e compartilhamento de conhecimento está em primeiro lugar.

Foram 3 horas de visitas e até agora descrevi apenas a primeira parte. No próximo post contarei os detalhes sobre nosso tour pelo setor de conservação e preservação de documentos. Você já visitou a British Library? Compartilhe sua experiência!

sexta-feira, junho 29, 2012

Passeios, viagens e conhecimento

Fachada da British Library
Há pouco mais de um mês eu voltei de uma viagem de férias maravilhosa. Passei 16 dias na Europa, 12 em Londres, 2 em Paris e 2 em Edimburgo. Muitos amigos me questionaram porque visitei bibliotecas, museus e livrarias durante as férias, tendo em vista de trabalho em uma biblioteca. O que muitas pessoas não querem e não entendem é que, mesmo quando estamos buscando lazer, podemos e devemos compartilhar conhecimento, entretanto, de uma forma diferente.

Nossa vida está rodeada por conhecimento, até mesmo em um objeto que vemos e pelo qual nos encantamos. Quando visitamos um monumento, um castelo ou um jardim, aquele lugar também carrega uma história, transmite informação que pode ser transformada em conhecimento e, para mim, isso não representa um sacrifício. 

Desliguei totalmente do meu trabalho e busquei lugares, histórias e pessoas com quem tive vontade de interagir e trocar experiência. Fui acompanhada da minha amiga Suzana Zulpo Pereira e ficamos hospedadas na casa da amiga Eglem Veronese Fujimoto. Juntas visitamos a British Library, conseguimos agendar um horário para conversarmos com alguns bibliotecários e tivemos a oportunidade de conhecer alguns espaços da biblioteca, bem como setores importantes, como o de Conservação e Preservação e Salas de leitura. Também tivemos um palestra sobre os programas de digitalização da biblioteca (falarei um pouco mais sobre o assunto em um novo post) e sobre os produtos e serviços oferecidos pela biblioteca. Foi, sem dúvidas, um momento de troca e inesquecível.



Em Paris visitamos a Shakespeare and Company, experiência muito interessante também. Trata-se de um espaço conservado da mesma forma como foi criado, ambiente vivo e que respira leitura, literatura, conhecimento, mas esse é assunto para um novo post. Ainda em Londres, passamos por uma livraria de livro raros, muito encantadora.


Na Biblioteca Nacional não conseguimos entrar, pois era domingo quando passamos por lá. Entretanto, fizemos uma foto muito bonita em frente.

Bibliotecas e livrarias são lugares riquíssimos que podem e devem ser explorados ao máximo em viagens. Vale muito a pena, fica a dica!

quarta-feira, março 28, 2012

Livros e leitura

Na semana passada, depois de uma conversa com um amigo que é leitor voraz e bibliófilo por natureza, eu voltei a refletir sobre minha vida como leitora. Essa reflexão já havia começado há uns dias atras quando li um texto sobre bibliotecários terem vínculos e utilizarem outras bibliotecas além das que trabalham.

Particularmente, hoje eu sou usuários apenas das bibliotecas do Sistema de Biblioteca da UFPR. Empresto poucos livros na Biblioteca de Ciências Jurídicas, pois não é a minha área de formação, entretanto, as bibliotecas de ciências humanas e sociais aplicadas são minhas favoritas, nessas duas encontro os livros ligados à minha área de pesquisa. Sou assídua na Biblioteca Pública do Paraná apenas para os eventos culturais, ainda não tenho meu cadastro de usuária.

Durante o mestrado eu li muito. Foram inúmeros livros e artigos, depois disso voltei a vida "normal" e retomei a leitura dos romances que tanto gosto, mas não com tanto entusiasmo. Durante minha reflexão percebi que a TV já não rouba tanto o meu tempo, mas posso diminuir um pouco mais. Contudo, a internet é a grande vilã... quer dizer, eu sou a vilã, pois chego em casa e o primeiro aparelho que ligo é meu notebook. Acho que posso diminuir consideravelmente meu tempo em frente ao computador e dedicar mais tempo a leitura dos livros que estão a minha espera na estante da sala.

Falando em estante da sala, ontem à noite algo curioso aconteceu. Eu me sentei no sofá e com a estante a minha frente fiquei observando os livros e um sentimento de culpa surgiu, principalmente, porque estou um pouco confusa nos últimos dias...não sei se caso ou compro uma bicicleta....rsrsrs

Ao me levantar do sofá e passar os olhos pelos livros da estante, Umberto Eco me chamou por meio da capa do livro "A Memória Vegetal" presente da Comissão de Eventos do SiBi/UFPR pela minha participação como Mestre de Cerimônias no evento Semana do Livro e da Biblioteca do ano passado. Eu já havia passado os olhos por esse livro e inclusive li os dois primeiros capítulos, acabei trocando-o por outro... "Edições perigosas" de John Dunning. Entretanto, naquele momento senti que precisa saber o que Umberto Eco tinha para me dizer e para minha surpresa...o sábio autor tinha algo muito especial para compartilhar. Peço permissão para transcrever parte do capítulo "Reflexões sobre a Bibliofilia":

"O bibliófilo junta livros para ter uma biblioteca. Parece óbvio, mas a biblioteca não é uma soma de livros, é um organismo vivo, com vida autônoma. Uma biblioteca doméstica não é apenas um lugar no qual se juntam livros: é também um lugar que os lê por nós. Explico-me. Creio que, a todos os que têm em casa um número bastante alto de livros, já aconteceu passar anos com o remorso de não ter lido alguns deles, os quais durante anos nos espiam das prateleiras como para nos recordar nosso pecado de omissão. [...]
Mas, volta e meia, um dia pegamos um desses livros desprezados, começamos a ler aqui e ali percebermos que já sabíamos tudo o que ele diz. Esse fenômeno singular, sobre o qual muitos poderão dar testemunho, só tem três explicações razoáveis. A primeira é que, tendo tocado várias vezes aquele livro ao longo dos anos, para mudá-lo de lugar, desempoeirá-lo, ou mesmo só para empurrá-lo a fim de pegar outro, algo de seu saber se transmitiu, através das polpas dos nossos dedos, ao nosso cérebro, e nós o lemos pelo tato, como se ele estivesse em alfabeto braille. Eu sou Cicap e não creio nos fenômenos paranormais, mas neste caso sim, até porque não me parece que o fenômeno seja paranormal: é normalíssimo, certificado pela experiência cotidiana.
A segunda explicação é que não é verdade que não lemos aquele livro: sempre que o deslocávamos ou o desempoeirávamos, dávamos uma olhada nele, abríamos casualmente umas páginas, alguma coisa no aspecto gráfico, na consistência do papel, nas cores, falava de uma época, de um ambiente. E assim, um pouquinho a cada vez, absorvemos grande parte daquele livro.
A terceira explicação é que, no decorrer dos anos, líamos outros livros nos quais se falava também daquele, e assim, sem perceber, acabamos sabendo o que ele dizia (quer se tratasse de um livro célebre, do qual todos falavam, quer fosse um livro banal, de ideias tão comuns que os encontrávamos continuamente em outros lugares).
Na verdade, creio que são verdadeiras as três explicações. Todos esses elementos, reunidos, "aglutinam-se" miraculosamente e, juntos, concorrem para nos tornar familiares aquelas páginas que, legalmente falando, jamais tínhamos lido". (ECO, 2010, p. 46-48)

Longe de mim ser uma bibliófila, mas foi exatamente pela situação descrita acima que eu passei quando avistei meus livros na estante, sentimento de remorso e vontade de recuperar o tempo perdido, folheá-los e lê-los assim que possível. O mais curioso foi que a resposta a minha angústia veio naquele exato momento e pelas páginas do livro que segurei nas mãos. Como Eco (2010) afirma, podemos ler um livro de diversas formas, até mesmo pelo tato. Acredito que essa vontade de satisfazer a fome de leitura que senti naquele momento, é o suficiente para fazer de mim uma leitora em contínua formação.

ECO, Umberto. A memória vegetal: e outros escritos sobre bibliofilia. Tradução de: Joana Angélica D'Ávila. Rio de Janeiro: Record, 2010.



domingo, março 11, 2012

12 de março - Dia do Bibliotecário

Tenho orgulho da profissão que escolhi e estou realizada! Apesar de toda a crise de identidade, preconceito e falta de reconhecimento que ainda existe com relação à Biblioteconomia acho que consegui passar por cima de tudo isso e me afirma como bibliotecária.

Após pensar em ser historiadora durante a pré-adolescência e lutar pelo jornalismo por 4 anos, percebi que precisa buscar uma profissão diferente. Aos 20 anos de idade refleti sobre o que me atraia no jornalismo e percebi que muito mais do que ter o desejo de ser jornalista eu queria trabalhar com informação. O caderno de inscrição do vestibulando da UFSC me chamou a atenção em 2003, quando tomei conhecimento da profissão e me encantei. Nesse mesmo ano ainda persisti no jornalismo (UFSC), entretanto, na UDESC apostei na Biblioteconomia e deu certo. Foram 4 anos de estudo, dedicação e amizades para a vida toda. Desde o primeiro semestre tive certeza que havia escolhido a profissão certa.

Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) a profissão do bibliotecário é assim descrita: "Disponibilizam informação em qualquer suporte; gerenciam unidades como bibliotecas, centros de documentação, centros de informação e correlatos, além de redes e sistemas de informação. Tratam tecnicamente e desenvolvem recursos informacionais; disseminam informação com o objetivo de facilitar o acesso e geração do conhecimento; desenvolvem estudos e pesquisas; realizam difusão cultural, desenvolvem ações educativas. Podem prestar serviços de assessoria e consultoria."

Por essa descrição é possível perceber o grande leque de atividades que podem ser atribuídas a esse profissional que existe há muitos anos e que ganha cada dia mais importância com o avanço das ferramentas tecnológicas.

Tive a felicidade de compartilhar minha experiência como bibliotecária com duas pessoas, uma delas minha irmã. Hoje, ambas cursam biblioteconomia e fico muito feliz por isso, afinal o país precisa de mais profissionais nessa área.

Gostaria de desejar um Feliz dia do Bibliotecário a todos os profissionais que fazem a diferença como mediadores da informação.

quinta-feira, março 08, 2012

155 anos da Biblioteca Pública do Paraná

Começou ontem a programação em comemoração aos 155 nos da Biblioteca Pública do Paraná. Hoje tive a oportunidade de assistir à palestra do Professor Oswaldo Francisco de Almeida Junior e sua fala foi focada na mediação do leitor. É sempre bom ouví-lo, o tempo passa tão rápido.

Quem o antecedeu foi o Diretor da Biblioteca, o jornalista Rogério Pereira. Foi a primeira vez que eu ouvi uma fala dele, mas de alguma forma fiquei um pouco intrigada. Em primeiro lugar, o fato de um jornalista e não um bibliotecário ser o responsável pela coordenação da BPP é revoltante, não que o Sr. Rogério tenha a total culpa disso. Ele falou em ter amor a biblioteca e da postura profissional, entretanto, acredito que deve ser bem difícil para um bibliotecário assumir uma postura quando a desvalorização da sua profissão está explícita diariamente, descaso que vem, nesse caso, do governo estadual.

Sinceramente, não foi um evento animador para anteceder o dia do bibliotecário. Felizmente, o Prof. Oswaldo salvou a tarde.