sábado, abril 09, 2011

Blog como ferramenta para divulgação científica: resposta ao autor Nepomuceno*

O futuro da Ciência da Informação vem sendo alvo de questionamentos já há alguns anos, principalmente com o surgimento da internet e recentemente com o novo modelo de produção, acesso, uso e compartilhamento da informação por meio das redes colaborativas. O mundo converge para a criação de novos recursos que possibilitem o compartilhamento de informação. Nesse contexto, o blog é um desses exemplos, pois vem sendo utilizado de forma crescente como ferramenta de colaboração também no meio acadêmico, onde o autor tem liberdade para apresentar e discutir temas de seu interesse e de seus pares, entre outras funcionalidades.

O modelo de produção científica predominante atualmente limita a divulgação de pesquisas e até mesmo cria barreiras para a sua publicação. Todavia, não é possível aos pesquisadores colarem-se a margem desse modelo, uma vez que seu reconhecimento acadêmico e institucional depende das publicações. Paralelo ao modelo vigente, o uso de novas formas de divulgação científica e interação com pares podem ser muito vantajosas em dado momento. Por meio dos blogs pessoais e também temáticos, pesquisadores têm divulgado seus textos em forma de posts para verificar o impacto que os mesmos causam entre seus seguidores, bem como interagir com seus pares para aperfeiçoar seus estudos.

Tomados por essa vontade de compartilhar e buscar reconhecer novos pontos de vista, críticas e sugestões, alguns pesquisadores renomados da área de ciência da informação também utilizem o blog como ferramenta de compartilhamento de informação relativa à sua área de estudo. Os textos e opiniões de pesquisadores como Aldo Barreto, Hélio Kuramoto e Carlos Nepomuceno, por exemplo, podem ser acessados facilmente por meio de seus blogs. Os autores mantêm diálogo aberto com seus leitores e partindo de seus posts, eles constroem o conhecimento junto com os seguidores que interagem deixando seus comentários.

Os mesmos motivos que vêm sendo discutidos até aqui para a escrita em um blog, também levaram a autora deste a criar o seu próprio no início de sua formação acadêmica. Esse instrumento é por ela entendido como uma ferramenta que vem auxiliando no seu crescimento acadêmico e profissional, uma vez que compartilha no blog suas opiniões, busca respostas aos questionamentos que se apresentam no seu dia-a-dia e tenta construir novos conhecimentos. Um pesquisador iniciante encontra muitas dificuldades para publicar seus textos em um periódico renomado, com tantas facilidades proporcionadas pelas tecnologias da informação e comunicação, a busca por alternativas que possam promovê-lo no meio acadêmico são válidas e mostram resultados quando bem gerenciadas.

A vinculação dos conceitos e da aplicação do estudo em CI à essa ferramenta colaborativa é indispensável, já que tratamos de informação e conteúdo valioso para o meio acadêmico. Avaliação de relevância, qualidade, arquitetura de informação e também das metrias fazem parte da área de CI e são indispensáveis quando se busca apresentar um trabalho que venha a ser reconhecida por suas características e contribuições dentro de sua rede social.

Frente às questões apresentadas e com todas as transformações proporcionadas pela Internet e recentemente pela Web 2.0, entende-se que a Ciência da informação não desaparece, mas, se transforma. O foco passa da informação em suporte físico também para a informação em suporte eletrônico, mais do que isso, surgem novos conceitos, novas formas de fazer ciência e diferentes perspectivas para ela, tão jovem e indispensável em um mundo onde seu objeto de estudo, a informação, é recurso essencial nos diversos setores da sociedade.


REFERÊNCIAS

BARRETO, Aldo de Albuquerque. Sensação e percepção na relação informação e conhecimento. DataGramaZero: revista de ciência da informação, v.10, n.4, ago. 2009. Disponível em: http://www.dgz.org.br/ago09/F_I_art.htm Acesso em: 22 set.2009

BORKO, H. Information science: what is it? American documentarion, v.19, n.1, p.3-5, jan. 1968.

HANE, Paula. Review of the Year 2008 and Trends Watch—Part 1. Information today, 5 jan. 2009. Disponível em:

http://newsbreaks.infotoday.com/Spotlight/Review-of-the-Year--and-Trends-WatchPart--52127.asp# Acesso em 11 ago. 2009.

HANE, Paula. Review of the Year 2008 and Trends Watch—Part 2. Information today, 8 jan. 2009. Disponível em:

http://newsbreaks.infotoday.com/Spotlight/Review-of-the-Year--and-Trends-WatchPart--52173.asp#top Acesso em 11 ago. 2009.

NEPOMUCENO, Carlos. A ciência da informação resistirá à internet? : reflexões soltas de um aluno de doutorado. DataGramaZero: revista de ciência da informação, v.8, n.4, ago. 2007. Disponível em: http://dgz.org.br/ago07/Ind_com.htm Acesso em 19 jun. 2009.

______. As plataformas do conhecimento. DataGramaZero: revista de ciência da informação, v.8, n.5, out. 2007. Disponível em: http://www.dgz.org.br/dez07/Art_05.htm Acesso em 20 set. 2009.

* Short paper apresentado à disciplina Perspectivas em Ciência da Informação do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Gestão e Tecnologia da Informação da Universidade Federal do Paraná (UFPR)

2 comentários:

Carlos Silva disse...

Paula, como você apontou que este post seria uma resposta ao que escrevi sobre "Ciência 2.0", queria fazer a ressalva entre divulgação científica - que acho que ninguém vai se opor que o blog seja usado para isso.

E, bem diferente, é o blog ser um instrumento de produção científica.

O que seria mais ainda é aceitar que a intuição - pré-hipótese - como algo válido para a Ciência, num mundo do conhecimento mais líquido.

Aí temos uma discussão.

Gostei do post,

abraços,

Nepô.

Paula Carina disse...

Muito obrigada pelo comentário! Sem dúvidas esse cuidado é necessário, talvez não tenha ficado claro no texto. Acredito que o blog e as mídias sociais em geral podem ser utilizados como espaço de diálogo e abertura para o novo a partir da cooperação.