quarta-feira, setembro 09, 2015

Percepção


Por : Denis Uezu

As qualidades desejáveis em gestores de bibliotecas, em minha opinião, tem sido mais ou menos as mesmas propagadas em reportagens e artigos de revistas de negócios e empresariais. Precisam ser inovadores. Líderes. Proativos. Ter visão estratégica, inteligência emocional  e outras qualidades que se alternam ano a ano (resiliência já saiu da moda?).  No entanto, é preciso cuidado para que essas qualidades não se tornem palavras vazias.

Tive experiências em gestão/coordenação de biblioteca escolar e em projetos técnicos em um museu. Atualmente, coordeno uma biblioteca universitária dentro de um sistema de bibliotecas em uma universidade pública. São experiências diferentes, com objetivos diferentes e equipes mais diferentes ainda. O que considero como essencial para desempenhar essas funções? Percepção.

Na prática: primeiramente é essencial entender a missão e os objetivos, em nível local (a própria unidade)  e macro (a organização na qual está inserida). Uma vez entendido, o que resta ao gestor é perceber. Perceber e agir, claro. Mas perceber o quê? Posso citar três itens que acredito serem essenciais:

a. As qualidades da equipe no todo e em sua individualidade e, a partir disso,  desenvolver competências, delegar tarefas de acordo com o perfil de cada um e manter todos motivados para que os objetivos da biblioteca sejam alcançados. Tarefas delegadas por fatores como tempo de casa ou preferências pessoais do gestor podem comprometer o andamento de trabalhos e projetos. Nem sempre é fácil e possível, claro, mas levar em consideração o perfil de cada um pode auxiliar bastante.

b. As demandas do público que a biblioteca atende. Parece óbvio, mas entender isso significa criar e gerenciar produtos e serviços voltados ao público e não fazer “biblioteca para bibliotecários”. Desenvolver maior e melhor integração entre setores/pessoas é essencial ou perpetuaremos, por exemplo, a eterna rivalidade entre referência e catalogação. Aqui também entra a percepção de limites. Limite esse que não deve ser considerado somente como limitante e sim como oportunidade para se estabelecer parcerias, eleger prioridades , avaliar e reavaliar práticas.

c. As demandas informacionais atuais e suas fontes cada vez mais diversas. Portal de Periódicos da Capes, repositórios institucionais e bases de dados específicos são fontes essenciais no ambiente universitário (caso específico), mas a informação pode estar além dos meios “tradicionais”. E conhecimentos em inglês ampliam consideravelmente as opções, não há como negar. A informação pode estar em um fórum do Reddit ou em um vídeo no YouTube. Explorar é preciso.

Gestores-bibliotecários: liderem equipes, sejam estratégicos e inovem. Mas não se esqueçam que equipes são pessoas, com virtudes e defeitos (gestor incluído!), e estratégias e inovações devem ter como finalidade o atendimento ao público da biblioteca.

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